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08.11
Melanie faz um faixa a faixa do ‘K-12’ pela Alternative Press

Melanie Martinez foi a fotógrafa e editora convidada da edição de outubro da Alternative Press, revista a qual já foi capa em 2016. Ela dirigiu seu próprio ensaio fotográfico, concedeu entrevistas, entre outras coisas.

Entre as matérias, Melanie fez um faixa a faixa de seu mais novo álbum, “K-12”, onde dá detalhes da composição e significado por trás de cada umas das músicas. Confira a matéria traduzida abaixo:

“Wheels On The Bus”

O início do dia escolar é geralmente ser zoado no ônibus. Eu senti que era um ambiente importante de escrever sobre, porque muitas vezes é o único lugar que não é supervisionado. Crianças geralmente não se filtram no ônibus sobre o que falam ou como se comportam. Minha experiência crescendo foi que o motorista não ligava pra nada do que estavam fazendo, o que levava a muito bullying. Pra algumas pessoas, entrar no ônibus é um pesadelo e um teste de força. Eu queria fazer uma música que pudesse ajudar qualquer um nessa situação.

“Class Fight”

Na superfície, essa faixa pode parecer ser só sobre uma briga de garotas, mas minha intenção com essa música era mostrar o condicionamento criado pela sociedade que acontece muito cedo na vida de uma garota. Mostra dois lados de uma briga entre duas garotas no filme por causa de um garoto, e como as duas foram naturalmente forçadas a ir uma contra a outra por seus arredores. Há muitas camadas nesse álbum e muitos duplos, até triplos sentidos em algumas das músicas. Há muitos paralelos entre a escola e outras partes da vida. Essa música também é representativa da indústria musical e o quanto audiencias amam colocar mulheres umas conta as outras. Falar sobre assuntos como esse pode provocar mudança nessas áreas e criar um caminho mais limpo pra que jovens artistas femininas sejam guiadas a uma comunidade, não uma competição.

“The Principal”

Essa canção foi necessária por muitas razões, mas o que me levou a escrevê-la até subconscientemente foi a quantidade de coisas grotescas e desanimadoras que presenciamos como uma sociedade através das décadas e também no presente com essa administração. Eu me senti compelida a falar sobre o sistema de poder dentro da escola e também mostrar como ela reflete diretamente ou carrega duplo sentido sobre o sistema patriarcal que comanda toda a indústria e área do dia a dia.

“Show & Tell”

Essa canção começou com uma gravação de voz minha cantando o refrão em um quarto de hotel no Brasil. Eu me senti presa, isolada e sozinha, e eu me senti como se eu não estivesse sendo tratada como um ser humano. Foi algo que eu senti constantemente enquanto sendo uma artista no holofote. Eu me senti incapaz de expressar como eu me sentia sobre expectativas e pressões dos meus ouvintes pra ser mais do que apenas um ser humano. As pessoas formam uma conexão tão grande com a música que ás vezes eu acho que esquecem que eu sou uma pessoa real com minha própria ansiedade, depressão e desafios pra superar na minha própria vida. O jeito que eu me ajudo é criando música e arte. Eu coloco todo meu amor e minhas boas energias em criar projetos que podem ser uma trilha terapêutica pra vida das pessoas. Eu sinto que me forçar a fazer algo mais do que o que eu já faço, eu iria apenas me drenar da minha energia. Proteger meu coração e colocar limites assim como expressar como eu me sinto foram grandes conquistas ao escrever essa música.

“Nurse’s Office”

Essa música é a minha favorite principalmente porque foi a mais intuitiva pra mim escrever. Ela foi muito criativa e emocionalmente satisfatória de criar. Eu lembro ter dificuldades com o título e tema, eu e Mikey [Keenan] trabalhamos em achar acordes, e imediatamente melodias começaram a fluir na minha boca. Nós também nos divertimos muito procurando sons pra construir mais a musica e estimular um visual enquanto escutávamos tossidas, espirros, esparadrapos rasgando. Essa música é principalmente sobre minha experiência na escola sofrendo bullying e não me sentindo confortável no ambiente, então eu fingia que estava doente pra ir à enfermaria e esperar que me levassem pra casa. Daí a letra “Me leve pra casa / Me dê essa permissão rosa de saída / Isso é velho / Eu estou cansada de desejar estar matando aula.” Mas eu acho que essa música também pode ter muitos duplos sentidos em muitas áreas da vida, como a indústria médica.

“Drama Club”

Sendo sensível a minha vida toda fez extremamente difícil lidar com comportamentos negativos ou qualquer tipo de conflito. Eu só queria criar harmonia o tempo todo mas sempre tiravam vantagem de mim porque eu ainda estava aprendendo sobre estabelecer limites. Eu ficava tão frustrada por causa da imaturidade e toxidade que outros exibiam. Eu pensava sobre quantas pessoas devem haver hoje na escola que também iam amar ser a única energia dividindo e dando ordens mas eles tem que lidar com pessoas que estão fora de balanço ou de saco cheio diariamente. Eu espero que essa música possa inspirar ou motivar outros a por um limite e dizer “Isso é o que eu deixo, e isso é o que eu não vou mais tolerar.”

“Strawberry Shortcake”

Essa canção foi necessária escrever por muitas razões. Eu senti que era crucial expressar o sentimento de passar pela puberdade e lidar com normas de vestimenta confusas que não existiam um ano antes. Eu senti que estava sendo sexualizada apenas porque eu estava me tornando uma jovem mulher. Eu sempre me senti insegura porque eu fui ensinada a ser recatada e mudar como eu me vestida por causa do medo de outros que garotos iriam me olhar, dizer ou fazer algo comigo. Eu queria escrever uma música que expressasse o que esse condicionamento faz com as garotas. Nos faz sentir inseguras e assustadas, como se nosso corpo existisse como um objeto não um lar sagrado.

“Lunchbox Friends”

Mudar o grupo de amigos é muito comum nos anos escolares. Eu lembro me sentir desencorajada sobre fazer amigos genuínos porque eu passei por tantas amizades rasas e medíocres que pareciam existir só na cantina durante o almoço. Isso me fez perceber quão especial era que eu tinha uma melhor amiga que era incrivelmente real e junto comigo pra vida. Ter uma melhor amiga real que me apoia sempre será mais gratificante do que ter um milhão de amigos falsos, e é isso que essa canção incorpora. A letra “Venha pra minha casa, vamos morrer juntos” é significativa porque morrer é uma metáfora pra transformação e renascimento. A habilidade de nos curar e transformar em pessoas melhores lado a lado é chave pra uma amizade duradoura.

“Orange Juice”

Crescendo e desenvolvendo meu corpo, eu tive muitas inseguranças e dúvidas sobre minha própria beleza. Pode ser muito difícil escapar da pressão imensa que todos sentimos de se encaixar num certo molde do que nossos arredores julgam que é bonito. Quando eu era mais nova, eu tenho uma memória vívida de falar com garotas da minha escola sobre minhas inseguranças e elas sugerindo que eu poderia fazer o que elas fazem, que é me fazer vomitar. Eu acho que ficou muito normal pra crianças pensarem que elas tem que mudar sua aparência pra ser aceito como alguém que tem valor. Eu queria fazer uma música e criar uma história no filme que pudesse ajudar pessoas jovens a entender o quão incrível é que seus corpos são completamente únicos. Cada curva, cada marca em nosso corpo pertence a você e só você. Nós subestimamos nossos corpos invés de ser gratos por eles nos manterem vivos por tanto tempo. Nós também colocamos muito importância na aparência exterior e não o suficiente no que está em nossa mente e coração. Eu espero que essa canção haja como um lembrete de apreciar seu corpo e a magia que ele guarda.

“Detention”

Eu escrevi essa canção quando estava em turnê, e estava me sentido extremamente exausta de performar mas senti essa pressão ou obrigação de continuar, porque se eu reclamasse sobre isso, eu achava que as pessoas não iam entender. Como artistas, nós as vezes temos medo de dizer como nos sentimos porque não queremos que nossos suspiros soem como uma reclamação. Turnês podem ser muito satisfatórias, eu acho que qualquer coisa na vida pode ter suas desvantagens, e uma dessas desvantagens é que a maioria das pessoas idealizam turnês e tem uma concepção que é um pouco otimista demais. Não é nem um pouco glamouroso. É um trabalho muito difícil que pode ser mental, emocional, física e espiritualmente exaustivo. Eu achei que seria legal as pessoas ouvirem uma perspectiva que é um pouco mais emocionalmente honesta sobre como é fazer turnê. É claro que é lindo poder compartilhar mensagens importantes pela música e arte através do globo e se juntar com pessoas de todos os lugares pra criar um espaço pra se sentir aceito. Mas eu também aprendi que com o tempo é importante desenvolver jeitos saudáveis de proteger minha energia pra poder performar o meu melhor e irradiar energias positivas que os outros também podem sentir.

“Teacher’s Pet”

Essa é com certeza a canção mais macabra do álbum e eu queria que ela soasse assustadora pra combinar com o assunto tão grotesco que a acompanha. Eu acho que a mídia e a sociedade no geral sempre glamorizaram jovens garotas estarem com homens bem mais velhos. Eu lembro de quando eu era criança e um professor foi pego com uma aluna e a notícia sempre tratava como um relacionamento aluna-professor invés de tratar como o que é, que é abuso e um professor usando o poder da sua idade sobre uma criança. Uma das partes mais satisfatórias do filme é quando Angelita é traga pra um tamanho normal e começa a manobrar a sua faca indo pra matar.

“High School Sweethearts”

Eu queria escrever uma canção que expressasse essas emoções voláteis que experienciamos quando nos apaixonamos pela primeira vez e o tamanho da raiva e arrependimento que acontece quando você é machucado por amor nessa idade. Pode nos fazer ficar cansados com o tempo e nos levar a novos relacionamentos com a guarda levantada. Eu tenho muitos outros requerimentos mais significantes do que o que eu listei nessa música, mas eu acho que nessa idade é importante aprender o básico do que aceitar ou não num relacionamento. Aceitar a pessoa por quem ela é mentalmente, emocionalmente, fisicamente, comprometimento a longo prazo, paixão, não julgar a outra pessoa, suas energias combinarem, e ter um dar e receber justo, etc.

“Recess”

Eu escrevi essa música quando estava me sentido extremamente exausta de todo o trabalho que estava consumindo minha vida. Eu frequentemente trabalho mais do que eu deveria, e eu acho que aprender quanto ter férias é algo que eu ainda estou aprendendo a fazer. Eu acho que todos somos condicionados a acreditar que nosso valor é determinado pelo nosso sucesso ou riqueza. Eu acho que abundância é algo que a maioria das pessoas confundem com ganhos monetários. Na realidade abundância pode estar presente em ter amigos de verdade a sua volta, um propósito na sua vida, um parceiro amoroso, uma família que te apoia ou até mesmo uma boa saúde. Essas são as coisas que realmente dão valor e realização nas nossas vidas mais que qualquer coisa.

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